Destacou-se no caldeirão cultural carioca por sua capacidade de romper barreiras sociais e econômicas, em clima de festividade e alegria. “O Funk é uma resposta cínica dos Jovens a uma sociedade sem projetos.” Carlos Alberto da Silva. O GLOBO. O medo do Funk. Rio de Janeiro, 02/07/1995.
Do Blues ao Funk americano
O Funk americano nasceu do Blues, datado do início do século XX que se moderniza e origina o Rhythm and Blues. Em meados de 1960, o Soul torna-se sinônimo de Black Music considerado comercial por músicos negros devido ao consumo excessivo, sobretudo pela população branca. Surge James Brown (1933-2006) com o Funk- arranjos mais agressivos e ritmo mais pesado.
Do Funk ao Hip-Hop
O Funk carioca de hoje sofre grande influência do Hip Hop americano, cujas origens remontam à década de 60 quando, no Bronx, bairro popular de Nova York, o DJ jamaicano Kool-Herc (1955) trazia as festas para as ruas misturando as batidas do Soul e do Funk. Em meados da década de 80, o Hip-Hop que se construía sobre os ritmos do Funk, usando predominantemente as bases e os graves, se encontra com a música eletrônica alemã. O DJ norte americano Afrikaa Bambaataa (1957) e Arthur Baker (1955) passam a mostrar um Hip-Hop diferente que abusa dos instrumentos eletrônicos sobre as bases Funk.
O Scratch – mudança de velocidade na rotação do disco, criando novos arranjos para as músicas, ou ainda arranhar o vinil em sentido anti-horário utilizando as agulhas do toca-discos como instrumento musical. (DJ Grandmasterflash)
Os B-boys – novo estilo de se vestir usando roupas esportivas (nike, adidas, fila), confortáveis para a prática da dança com muito movimento. O
Grafite – novo estilo de expressão e arte em espaços públicos.
Big Boy

Surgem nos anos 70, no cenário carioca, os primeiros bailes chamados "Bailes da Pesada".
Organizados pelo discotecário Ademir Lemos (1946-1998) e o radialista Big Boy (1943-1977).
Vários estilos eram tocados, dentre eles, o Funk.
Gradualmente, o Soul e o Funk foram dominando as
pistas dos Bailes – por terem um ritmo mais marcado e, logo, mais apropriado para a dança – e muitas equipes de som investiram em equipamentos modernos e despontaram no cenário da época.
Dentre elas, Furacão 2000, Pipo’s, Soul Grand Prix, Som Grand Rio, Curtisom, Cashbox e outras.
"Uh! Terêrê"
Em meados da década de 80 começa a adaptação do Hip-Hop, e mais especificamente, do Miami Bass caracterizado por suas batidas fortes.
As letras em inglês não compreendidas pelo público, passaram a ganhar versões em português de acordo com sua sonoridade.
Tais como, a "Melô do Tomate" (Run DMC, You Talk Too Much, 1985) e "Uh! Terêrê" (Tag Team, whoomp!, there it is!, 1993).
Os bailes passam a ser realizados em clubes fixos sob responsabilidade das equipes de som, assim como, o local da apresentação, segurança, som, luzes, ingressos e etc.
Fernando Luis Mattos da Matta, o DJ Malboro ( nasc. ) destaca-se no processo de adaptação/criação do Hip-Hop e do Funk carioca através de uma bateria eletrônica que possibilita a criação de novas batidas e ritmos.
Surge o Funk Carioca
O primeiro disco de Funk produzido no Rio de Janeiro foi o “Funk Brasil 1”(1989) pelo DJ Malboro auxiliado por Abdula ( nasc./ morte)e MC Batata (nasc./morte).
O “Funk Brasil 1” apesar de desconhecido pela mídia, vendeu 250.000 cópias abrindo as portas para um novo mercado de MC’s e DJ’s cariocas.
As letras, inicialmente, tratam de brincadeira e “zoação”. No início da década de 90, surge o Funk Melody nacional, cujas letras são mais suaves e tratam de amor e relacionamentos.
E, o Funk carioca traz uma nova vertente onde incorporam-se o Rap e as críticas de teor social. Sendo assim, um meio de expressão e afirmação da identidade de uma parcela da população que vive as margens da sociedade.
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